A gente cresce
escutando essa pergunta.
Às vezes, muda de opinião durante a vida.
Diz "à primeira
vista, só paixão".
Em qualquer outro
momento, acredita na força do primeiro contato,
do primeiro olhar de
todos.
Há algumas semanas,
fui a uma festa
- eu, que nunca gostei muito delas,
e encontrei uma pessoa
que parecia já me conhecer.
Sabe quando você conhece alguém tão parecido
que o maior passatempo
se torna descobrir mais e mais coisas em comum?
Meus amigos não existiam
mais.
A gente ficou de pé, no meio do
salão,
olho no olho, assuntos intermináveis.
Precisei ir embora
correndo, mas eu não tinha dito o meu nome.
E não trocamos
telefone nem e-mail.
Eu pus os pés em casa, coração acelerado e
nervoso:
fui dormir com alguém em mente,
alguém que eu nem ao
menos sabia como se chamava.
Que eu não sabia se
veria novamente.
Gostaria de fugir
daquela conversa de que só amamos aqueles
de quem conhecemos os
defeitos.
Mas nada mais
verdadeiro.
Amor,
só vem de convivência.
Rotina, cumplicidade
provada de pouquinho em pouquinho no dia a dia.
O que eu senti naquela
noite,
o que me fez ir dormir
inquieta,
nada disso era amor e
nem teria como ser.
Era empolgação pela
afinidade.
Hoje, eu sei que
centenas de pessoas pensam como eu de alguma forma.
Mas não naquela época.
Foi surpreendente
perceber que minhas opiniões
podiam ser iguais às de outra
pessoa.
O que me fez ficar
pensando nisso durante dias não era amor.
Era encanto.
Então não, eu não acredito em
amor à primeira vista.
Mas em sentimentos e em
olhares, eu acredito.
Se tira o sono e o
sossego,
se descobrir o outro
passa a ser o que há de mais interessante,
e se isso não acontece por
somente uma vez,
mas na segunda, na
terceira, e na décima,
aí sim a gente tá falando de amor.
-Isabella Linhares
https://justagirlff.blogspot.com lê?
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