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15 junho 2011

Uma carta especial...

Falar sobre si mesmo é sempre muito difícil mas vou tentar...
     Minha infância foi feliz, vivi com meus pais até os 10 anos, quando eles decidiram se separar, fiquei muito triste já que meu pai iria morar em Portugal por causa do trabalho. Eu e minha irmã ficamos muito tristes pois amavámos muito nosso pai e não queriamos ficar longe dele, porém tinha minha mãe a quem mesmo com a separação meu pai confiava plenamente, e assim ficamos morando no Brasil com nossa mãe e eles decidiram que em todas as férias nós íriamos para lá, isso nos deixou felizes já que a separação foi amigável. Nessa época Alice, minha irmã, estava com 13 anos.
     Moravámos em Belo Horizonte e em nossas primeiras férias depois da separação de nossos pais fomos á Lisboa, onde nosso pai estava á nossa espera. Era um lugar lindo, com pessoas muito educadas, como havia algumas palavras que não entendiamos, meu pai tratou de procurar um professor para nos ajudar com a língua portuguesa de Portugal, já que o Brasil falava um pouco diferente. E assim eram em todas as férias. Dois anos depois meu pai nos apresentou sua primeira namorada depois da separação, confesso que senti muito ciúmes e não gostei dela, já Alice se encantou com Marina. Ela era uma mulher elegante, bonita e educada, nos tratava muito bem, o que eu sentia era realmente ciúme, por que ela era uma pessoa muito agradável. Eles namoraram por dois anos e meio e meu pai nos comunicou que iria se casar novamente, nessa época eu já gostava de Marina e nos davámos bem, até minha mãe gostava um pouco dela. Foi só aí, depois de quatro anos e meio separada que minha mãe arranjou um namorado. O Carlos era simpático, educado, bonito e nos tratava muito bem, ele também era divorciado e tinha dois filhos, que alguns meses depois fomos apresentados.
     Alice se encantou por Matheus, filho de Carlos que tinha 20 anos, dois a mais que ela, e eu me dei super bem com Ligia, a filha dele que tinha a mesma idade que eu, logo nos tornamos amigas. Meu pai se casou e voltou a morar no Brasil mas não na mesma cidade que a nossa, ele foi morar em Santos, no estado de São Paulo. Um ano depois, Alice e Matheus começaram a namorar, minha irmã estava muito feliz pelo namoro e por que ia fazer a faculdade que queria: Jornalismo e Comunicação.
     Eu estava com 16 anos em plena adolescência, nessa época vivi muitos momentos felizes ao lado de amigos verdadeiros que tenho até hoje, e lógico que tinha aqueles falsos, a quem eu rompi qualquer contato. Minha primeira paixão foi por um colega de escola, o nome dele era Miguel, pena que ele não dava muita bola para mim, sabe aquele ditado: só me apaixono pelas pessoas erradas, serve perfeitamente na nossa adolescência. Um dia acordei e simplesmente desisti dele, parece algo planejado mas semanas depois ele pediu pra ficar comigo, apesar de não estar mais apaixonada, eu fiquei e foi bom e até engraçado por que depois disso ele é que vivia correndo átras de mim. Durante o resto do colégial não tive nenhuma paixão avassaladora, somente coisas de momento.
     Quando eu tinha 18 anos minha mãe se casou com o Carlos, eu fiquei feliz por ver a felicidade dos dois. Alice e Matheus já namoravam á quase dois anos e estavam felizes juntos. Nesse ano entrei para faculdade de Publicidade, e foi lá que encontrei o grande amor da minha vida e vivi momentos incríveis com ele.
     Pedro era um garoto lindo por dentro e por fora, tinha cabelos castanhos e olhos verdes de arrebatar qualquer coração, me apaixonei assim que o vi pela primeira vez. Ele fazia faculdade de Arquitetura e era um ano mais velho que eu. Quem nos apresentou foi minha melhor amiga, Angélica, que namorava um dos amigos dele. Nos conhecemos e senti que naquele momento ele também havia se apaixonado por mim, o que ele mesmo me confirmou alguns meses depois. Começamos a namorar dois meses após sermos apresentados, era um amor incrível, que invandiu meu coração e me fez tão feliz. Por três anos vivemos felizes e em paz, até que aos 21 anos eu descobri que estava grávida, minha mãe ficou louca de preocupação dizendo que erámos jovens demais, mas eu estava feliz, o Pedro estava perto de terminar a faculdade e trabalhava.
     Quando contei ao Pedro sobre minha gravidez, ele pulou de felicidade e disse que iríamos nos casar e seriamos muito felizes. E assim foi... Em um mês nos casamos e vivemos muito felizes, quando nossa filha nasceu vivemos o momento mais feliz de nossas vidas, Luisa era linda e encantou á todos em nossas famílias. Dois anos depois do nascimento de Luisa, vivi o pior momento da minha vida, Pedro faleceu após um acidente de carro, eu sofri muito, naquele momento só a minha filha me tirava do fundo do poço, ela era a maior lembrança que eu tinha do Pedro, o meu amor, meu grande amor...
     Me dediquei totalmente a minha filha nos anos que se seguiram, até que cinco anos depois minha mãe e minha irmã me conveceram a ver que a vida não tinha acabado para mim, mesmo assim meu coração dizia que eu tinha ido embora com Pedro, mas para não decepcioná-las resolvi sair um pouco e tentar me divertir. Sete meses após, eu conheci o Marcelo, nos damos bem de cara e dois meses depois decidimos namorar. Eu resolvi tentar viver um pouco, afinal eu ainda era nova, tinha só 29 anos. O que mais me preocupava era Luisa, mas ela gostou do Marcelo mais que eu.
     Com o tempo fui gostando mais do Marcelo e três anos depois resolvi me casar novamente. Ele gostava de mim e principalmente gostava de minha filha e isso era o que importava. Me casei com ele aos 32 anos e vivi com ele até os 53 anos, quando aos 55 anos ele faleceu após uma parada cardiorespiratória. Tivemos apenas um filho, Gabriel, meu segundo tesouro.
     Na minha vida tive sucesso profissional, dois filhos lindos a quem dediquei todo o meu amor, tive Marcelo um homem maravilhoso que me fez companhia durante 21 anos, mas perdi o grande amor da minha vida. Vivemos tão pouco juntos, mas foram os melhores momentos de toda a minha vida, o Pedro foi a melhor coisa que me aconteceu e tenho certeza que de onde ele estiver ele pensa o mesmo e tenho certeza de que assim como eu, ele nunca vai esquecer nosso amor, por que eu sempre, sempre vou te amar...
     Hoje aqui com 83 anos relembro toda essa história, a minha história...


                                                                     Daniella Martins de Sousa

      (Daniella morreu 2 meses após escrever essa carta. Luisa e Gabriel, filhos da publicitária, divulgaram a carta logo após sua morte, como era de sua vontade.)



<Parece mentira, mas isso saiu da minha cabeça.>

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